Trump sobe o tom contra a OTAN, alerta para futuro da aliança e manda recado duro a Macron
Em declarações contundentes nesta terça-feira, o presidente Donald Trump manifestou profunda insatisfação com os aliados da OTAN diante da recusa da aliança em se envolver militarmente no conflito com o Irã. Durante encontro no Salão Oval com o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, o líder americano classificou a resistência do bloco como um “erro muito tolo”, contrastando a postura europeia com o suporte recebido de nações árabes e de Israel.
A irritação de Trump surge em um momento em que os EUA buscam formar uma coalizão para garantir a segurança no Estreito de Ormuz, via estratégica por onde circula um quinto do petróleo mundial. Embora tenha afirmado que os aliados concordam com a importância dos ataques conjuntos realizados por EUA e Israel, o presidente lamentou que esse apoio não se traduza em ajuda prática no campo de batalha, descrevendo a situação como “chocante”.
A “via de mão única” e a autossuficiência americana
Pouco antes de sua reunião bilateral, Trump utilizou sua plataforma, Truth Social, para elevar o tom contra a organização transatlântica. O presidente argumentou que os EUA investem centenas de bilhões de dólares anualmente para proteger países que, em momentos de necessidade, não retribuem o esforço. Para ele, a relação com a OTAN tornou-se uma “via de mão única”, o que levanta questionamentos sobre a utilidade futura da aliança para os interesses americanos.
Apesar das críticas, o ocupante da Casa Branca fez questão de enfatizar que os Estados Unidos possuem capacidade militar para agir de forma isolada. Ele estendeu esse raciocínio a outros parceiros históricos, como Japão, Austrália e Coreia do Sul, declarando que, como a nação mais poderosa do mundo, o país não depende de auxílio externo para consolidar seu sucesso militar no Irã.
O contraste entre aliados árabes e a hesitação europeia
Enquanto a OTAN se mantém distante, Trump elogiou o que chamou de “apoio fantástico” vindo do Oriente Médio. O presidente citou nominalmente Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Bahrein como parceiros que demonstraram um alinhamento forte com a estratégia americana. Essa rede de apoio regional tem sido o contraponto à cautela demonstrada pelas capitais europeias e potências asiáticas.
Na Europa, o cenário é de fragmentação. Enquanto o premiê britânico Keir Starmer busca um plano para a segurança marítima sem se deixar arrastar para uma “guerra ampliada”, outras lideranças são mais incisivas na rejeição. Kaja Kallas, Alta Representante da UE, foi enfática ao declarar que o conflito no Oriente Médio “não é uma guerra da Europa”, refletindo o sentimento de relutância que predomina entre os ministros das Relações Exteriores do bloco.
Tensões diplomáticas com a França
O ponto de maior atrito diplomático ocorreu com a França. Após o presidente Emmanuel Macron declarar que seu país jamais participará de operações para “libertar” o Estreito de Ormuz enquanto os bombardeios continuarem, Trump reagiu com desdém. Ao ser informado da posição francesa, o presidente americano previu que Macron “deixará o cargo muito em breve”, sinalizando o desgaste na relação pessoal e política entre os dois líderes.
Macron condicionou qualquer ajuda futura a um cenário de desescalada e estabilidade política, mencionando a complexidade técnica e de seguros envolvida em um sistema de escolta naval. Por ora, a proposta de Trump de criar uma coalizão naval internacional enfrenta resistência não apenas da França, mas também de países como Alemanha, Espanha, China e Japão, que já descartaram o envio de meios militares para a região.