Paquistão bombardeia Cabul em resposta a ataque afegão contra complexo nuclear em escalada sem precedentes

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A instabilidade na Ásia Central atingiu um novo ápice nesta sexta-feira com o bombardeio paquistanês contra Cabul, a capital afegã, e as províncias de Paktia e Kandahar. A ofensiva ocorre poucas horas após um ataque transfronteiriço iniciado por forças afegãs, sinalizando o colapso definitivo do cessar-fogo mediado pelo Catar e pela Turquia em 2025.

O governo paquistanês, através do seu Ministro da Defesa, Khawaja Mohammad Asif, declarou formalmente um estado de “guerra aberta”, afirmando que a paciência de Islamabad com o regime Talibã se esgotou diante da suposta “exportação de terrorismo” por parte dos vizinhos.

Contradições sobre vítimas e alvos estratégicos

Os relatos sobre o impacto dos ataques de sexta-feira divergem drasticamente entre as capitais. O governo do Paquistão afirma ter neutralizado 133 oficiais do Talibã e ferido mais de 200 em operações contra esconderijos de militantes. Por outro lado, o Ministério da Defesa do Afeganistão alega ter infligido baixas severas às tropas paquistanesas em confrontos na fronteira, relatando a morte de 55 soldados de Islamabad e a captura de prisioneiros vivos.

Informações do veículo Ariana News indicam ainda que as forças afegãs teriam atingido uma instalação nuclear e uma academia militar em solo paquistanês, resultando em centenas de vítimas, embora Islamabad negue a captura de seus soldados.

O fracasso da diplomacia e a linha Durand

O agravamento do conflito é o resultado de meses de deterioração diplomática. Desde outubro, as passagens terrestres entre os dois países permanecem praticamente fechadas após confrontos que deixaram dezenas de mortos. O ponto central da discórdia continua sendo a Linha Durand, a fronteira de 2.611 km que o Afeganistão não reconhece formalmente.

Enquanto o Paquistão acusa o Talibã de abrigar grupos extremistas que realizam atentados em seu território, o governo afegão descreve suas ações como retaliação a ataques aéreos prévios que atingiram civis em áreas fronteiriças.

Crise humanitária e apelos internacionais

O impacto sobre a população civil tem sido imediato e devastador. Em Torkham, autoridades afegãs iniciaram a evacuação de campos de refugiados após a confirmação de 13 mortes de civis, incluindo mulheres e crianças. Do lado paquistanês, a polícia também coordena o deslocamento de moradores para zonas seguras.

Diante do cenário de violência generalizada, o secretário-geral da ONU, António Guterres, emitiu um apelo urgente para que ambos os lados respeitem o direito internacional e protejam os não-combatentes, reforçando a necessidade de retomar os canais diplomáticos para evitar um desastre regional ainda maior.

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