Zelensky denuncia estratégia russa de ‘prolongar a guerra’ após negociações de paz terminarem sem acordo
A última rodada de negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, mediada pelos Estados Unidos em Genebra, encerrou-se nesta quarta-feira sem avanços concretos. O encontro ocorre em um momento crítico, faltando apenas uma semana para o conflito completar quatro anos.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, lamentou a falta de consenso em temas fundamentais e acusou o governo russo de utilizar táticas protelatórias para estender a duração da guerra. Segundo o líder ucraniano, embora o trabalho preparatório tenha sido realizado, a divergência entre as posições permanece acentuada, tornando o diálogo complexo e de difícil resolução.
Os pontos de discórdia e o canal militar
Entre os obstáculos mais significativos para um acordo estão o status das regiões ocupadas pela Rússia no leste ucraniano e a gestão da usina nuclear de Zaporizhzhia, que segue sob domínio de Moscou. Zelenskyy detalhou que as discussões transcorreram tanto na esfera política quanto na militar.
No campo técnico-militar, o presidente classificou o diálogo como “construtivo”, ressaltando que as forças armadas possuem o conhecimento necessário para monitorar um cessar-fogo, desde que haja a devida vontade política entre as partes. No entanto, a brevidade do segundo dia de conversas, que durou apenas duas horas, evidenciou a distância entre as expectativas e a realidade do terreno.
Pressão de Washington e resistência em Kiev
O cenário diplomático é pressionado pelas promessas de Donald Trump de encerrar o conflito rapidamente. O negociador-chefe da Rússia, Vladimir Medinsky, descreveu as reuniões como difíceis, porém objetivas, sinalizando que novos encontros devem ocorrer em breve.
O impasse principal reside na exigência russa de cessão total de territórios no leste como condição para a paz. Zelenskyy, por sua vez, enfrenta forte resistência interna; em entrevista recente, ele alertou que a população ucraniana não aceitaria uma retirada unilateral do Donbas, afirmando que tal concessão seria vista como uma traição imperdoável tanto por parte do governo local quanto dos aliados americanos.
Divergências sobre garantias de segurança
A ordem das prioridades no acordo de paz também é um ponto de conflito com a nova administração dos EUA. Enquanto o governo Trump pressiona por concessões territoriais imediatas para garantir uma vitória diplomática rápida, Kiev exige que garantias firmes de segurança por parte do Ocidente sejam estabelecidas antes de qualquer decisão sobre fronteiras.
Zelenskyy reforçou publicamente que a Ucrânia não está disposta a abrir mão de territórios sem que haja um compromisso de proteção futura, contrariando a proposta de Washington de oferecer segurança apenas após a troca territorial.
Perspectivas de desgaste e continuidade
Do lado europeu, a percepção é de que Vladimir Putin não cederá enquanto não houver um enfraquecimento drástico de sua posição militar ou econômica. Relatórios de inteligência indicam que a Rússia enfrenta dificuldades crescentes no recrutamento e que os ganhos territoriais recentes foram limitados por contraofensivas ucranianas em Zaporíjia.
Apesar da desaceleração da economia russa, analistas políticos acreditam que o Kremlin ainda possui recursos financeiros e controle político suficientes para manter a ofensiva, sugerindo que, sem uma paralisia interna russa, a guerra tende a persistir.