Caso Epstein: congressistas americanos articulam intimação de Bill Gates para depoimento

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Em um movimento raro de convergência partidária, parlamentares republicanos e democratas estão unindo forças para aprofundar as investigações sobre a rede de Jeffrey Epstein.

O foco central da nova ofensiva é o cofundador da Microsoft, Bill Gates, após a deputada Nancy Mace (R-SC) formalizar um pedido de intimação baseado em alegações classificadas por ela como “perturbadoras” e “doentias”, que ligariam o bilionário ao falecido financista.

O fator Melinda Gates e as suspeitas de ocultação

A iniciativa de Nancy Mace ganhou tração após declarações públicas de Melinda Gates, ex-esposa do magnata, sugerindo que ele deveria prestar contas sobre sua relação com Epstein. Documentos recém-divulgados indicam que Epstein poderia ter auxiliado Gates a esconder informações confidenciais durante o casamento.

Entre os registros mais polêmicos, consta um e-mail onde Epstein alega que Gates solicitou ajuda para lidar com uma suposta doença sexualmente transmissível (DST) e pediu a exclusão de mensagens sobre o assunto. Embora Bill Gates negue veementemente qualquer conduta imprópria, Mace insiste que o interrogatório é indispensável para esclarecer a natureza dessa proximidade.

Diferente de outras investigações marcadas pela polarização, a proposta de intimar Gates recebeu acenos positivos da ala democrata. O deputado Robert Garcia (D-CA), membro graduado da comissão, manifestou apoio à ideia e indicou que o comitê deve anunciar novos nomes de interesse em breve. A estratégia agora é processar a “avalanche” de 3,5 milhões de arquivos liberados pelo Departamento de Justiça sob a Lei de Transparência, buscando identificar quem deve ser responsabilizado.

Clinton no radar: A distinção entre o setor privado e o público

Enquanto Gates representa o setor privado, o Comitê de Supervisão já definiu datas para interrogar figuras do alto escalão político. O ex-presidente Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton têm depoimentos agendados para o final de fevereiro. O deputado Byron Donalds (R-FL) ressaltou que, embora o escrutínio sobre civis seja necessário, a responsabilidade de um ex-mandatário é superior devido ao acesso e influência que detinha sobre agências governamentais.

Novas fotos que mostram Bill Clinton em companhia de Epstein e registros de viagens no jato particular do financista são os pilares que sustentam a convocação do casal. “É diferente de alguém do setor privado”, afirmou Donalds, justificando a prioridade dada ao depoimento do ex-presidente.

A busca pela transparência total e os próximos passos

Apesar do entusiasmo de alguns membros, ainda há debates internos sobre o critério de seleção das testemunhas em meio a milhares de nomes citados nos documentos. O deputado Jim McGovern (D-MA) defendeu a transparência total, criticando o que chamou de “seletividade” em convocar apenas os Clintons. Segundo McGovern, qualquer indivíduo implicado nos arquivos, independentemente do partido ou status, deve ser interrogado.

Até o momento, o presidente do Comitê de Supervisão, James Comer, não confirmou quando novas intimações, incluindo a de Bill Gates, serão oficialmente enviadas, mas a pressão interna indica que o Congresso está decidido a transformar o volume colossal de dados em ações de fiscalização efetivas.

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