Ataques das IDF em Gaza deixam dezenas de mortos após oficial israelense ser baleado em meio ao cessar-fogo mediado pelos EUA
A frágil trégua na Faixa de Gaza enfrenta um de seus momentos mais críticos desde o acordo firmado em outubro de 2025. Na noite desta terça-feira, um oficial da reserva das Forças de Defesa de Israel (IDF) foi gravemente ferido após ser alvejado por agentes palestinos no norte do enclave.
O incidente ocorreu na região da “Linha Amarela”, área que delimita o controle entre tropas israelenses e o Hamas. Segundo o exército de Israel, o ataque foi uma “violação flagrante” dos termos de interrupção das hostilidades, levando a uma resposta imediata com fogo de tanques e ataques aéreos contra os pontos de origem dos disparos.
Retaliação israelense e balanço de vítimas
A contraofensiva de Israel resultou em bombardeios que atingiram diversos pontos da Faixa de Gaza. Relatos da mídia local e de hospitais palestinos indicam que pelo menos 20 pessoas morreram nas últimas horas. A Cidade de Gaza foi o ponto mais atingido, com mortes registradas nos bairros de Tuffah e Zeitoun, incluindo civis e crianças.
No sul, ataques foram reportados em Khan Younis e na área de Mawasi, onde uma tenda de deslocados teria sido atingida. Entre as vítimas identificadas pela Sociedade do Crescente Vermelho Palestino está o paramédico Hussein al-Samiri, morto enquanto estava de serviço em um hospital de campanha que também recebeu dezenas de feridos.
Operação na fronteira e impasse humanitário
Apesar do aumento da tensão militar, a passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, manteve suas atividades nesta quarta-feira. Reaberta recentemente após um ano de fechamento, a via é o único ponto de saída que não atravessa território israelense. No entanto, o fluxo de pessoas ainda enfrenta barreiras burocráticas.
O Coordenador de Atividades Governamentais nos Territórios (COGAT) afirmou que a transferência de pacientes para o Egito depende da coordenação da Organização Mundial da Saúde, que ainda não teria apresentado os detalhes processuais necessários para facilitar o transporte de feridos e acompanhantes.
O futuro da trégua e o plano de paz
O recente derramamento de sangue coloca em xeque a segunda fase do plano de paz mediado pelos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump. Enquanto o Hamas e Israel trocam acusações de descumprimento do acordo, o enviado americano Steve Witkoff mantém reuniões de emergência com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
O governo israelense mantém a postura de que a reconstrução de Gaza só terá início após o desarmamento total do Hamas e a desmilitarização da Faixa. Por outro lado, o grupo extremista segue rejeitando as condições de desarmamento, dificultando a implementação de uma força internacional de paz prevista para as próximas etapas do cronograma diplomático.


