Polícia francesa invade sede do X por crimes cibernéticos e convoca Elon Musk para interrogatório

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A sede da rede social X, em Paris, foi alvo de uma operação de busca e apreensão conduzida por unidades de elite de crimes cibernéticos da polícia francesa e da Europol. A ação, autorizada pela Procuradoria de Paris, marca uma escalada significativa nas investigações contra a empresa de Elon Musk, que agora enfrenta acusações graves que vão desde fraude de dados até cumplicidade em crimes contra a humanidade.

Como parte do processo, tanto o bilionário quanto a ex-CEO da companhia, Linda Yaccarino, foram convocados para prestar depoimento sobre suas responsabilidades na gestão da plataforma.

Algoritmos sob suspeita e o papel do chatbot Grok

A investigação, iniciada em janeiro de 2023, foca no suposto abuso de algoritmos e na extração fraudulenta de dados. Recentemente, o escopo foi ampliado para incluir denúncias contra o Grok, a inteligência artificial da empresa. O chatbot é acusado de disseminar conteúdo que nega o Holocausto e de permitir a criação de imagens manipuladas (deepfakes) que envolvem mulheres e crianças.

A justiça francesa apura se houve intervenção pessoal de Musk na gestão dos algoritmos para favorecer conteúdos políticos específicos e reduzir a diversidade de vozes na rede social.

Acusações de crimes cibernéticos e abuso infantil

O rol de suspeitas listado pelas autoridades é extenso e alarmante. A polícia investiga a plataforma por possível cumplicidade na distribuição organizada de imagens de abuso infantil e violação de direitos de imagem por meio de deepfakes sexualizados.

Além disso, a empresa é suspeita de operar um sistema automatizado de processamento de dados de forma fraudulenta e de manter uma plataforma online ilegal sob a gestão de um grupo organizado. Tais crimes, segundo os promotores, representam uma afronta direta às leis de proteção de dados e direitos fundamentais vigentes no território nacional.

Em resposta às ações judiciais, a empresa X classificou as investigações como “politicamente motivadas” e alegou que as autoridades francesas estão distorcendo a lei para restringir a liberdade de expressão. Embora as intimações para Musk e Yaccarino sejam tecnicamente obrigatórias, a aplicação prática dessas convocações enfrenta desafios jurídicos, uma vez que ambos residem fora da França.

No entanto, as autoridades não descartam medidas mais severas, como a detenção dos suspeitos em solo europeu, para garantir o cumprimento da legislação francesa por empresas estrangeiras.

Pressão europeia por um novo marco regulatório

O movimento francês ocorre em sintonia com uma tendência de endurecimento regulatório em toda a Europa. Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez descreveu as redes sociais como um “estado falido” e propôs leis rígidas para responsabilizar executivos por discursos de ódio e conteúdos prejudiciais a menores.

O projeto espanhol, assim como a investigação francesa, visa encerrar o que líderes europeus chamam de “faroeste digital”, obrigando as gigantes de tecnologia a implementarem sistemas rigorosos de verificação de idade e moderação ativa de conteúdo ilegal.

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