CPI do INSS: relator solicita quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha

Compartilhe

O foco da CPI do INSS se volta agora para o rastreio de movimentações financeiras suspeitas envolvendo figuras próximas ao núcleo político do governo. O relator da comissão busca detalhar as conexões entre Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” — apontado pela Polícia Federal como peça central no esquema de descontos indevidos em aposentadorias — e outros três investigados, incluindo Fabio Luis, o Lulinha.

Segundo o deputado Gaspar, diálogos interceptados sugerem que pagamentos de grande escala, como um montante de R$ 300 mil, teriam sido destinados a empresas intermediárias para mascarar o verdadeiro beneficiário das vantagens ilícitas.

O papel das intermediárias e a ocultação de provas

A investigação aponta que Roberta Luchsinger e Fonteles desempenhariam funções estratégicas na estrutura da organização. Enquanto Fonteles é citado por sua atuação transnacional, Luchsinger é suspeita de atuar como ponte financeira e de ter orientado a destruição de evidências para proteger o esquema.

Para a relatoria, essas movimentações indicam um sofisticado sistema de lavagem de capitais e ocultação de patrimônio. Apesar das evidências apresentadas pela Polícia Federal, Lulinha já teve convocações anteriores barradas na comissão após manobras de articulação da base governista.

Com o início dos trabalhos neste ano, a CPI entra em uma fase mais robusta, estendendo o escrutínio para além das associações e focando na participação de instituições financeiras. O objetivo é desvendar como agentes públicos e bancos colaboraram ou foram negligentes em relação às irregularidades nos empréstimos consignados. Esta nova etapa busca compreender o ecossistema completo que permitiu que descontos não autorizados fossem processados sistematicamente contra segurados do instituto.

Calendário de depoimentos e próximos passos

A nova frente de apuração terá um marco importante nesta quinta-feira, dia 5, com os depoimentos de figuras-chave do setor financeiro e administrativo. Estão previstas as oitivas do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master; de Maurício Camisotti, detido durante a Operação Sem Desconto; e de Gilberto Waller Júnior, atual presidente do INSS.

O deputado Gaspar enfatiza que esses depoimentos são cruciais para esclarecer a relação entre as instituições bancárias e as fraudes associativas, consolidando a transição da CPI para a análise dos empréstimos consignados.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

www.clmbrasil.com.br