EUA, Ucrânia e Rússia retomam cúpula trilateral para negociar fim da guerra, anuncia Zelensky

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Uma nova tentativa de encerrar o conflito que já se estende por quase quatro anos ganhará um novo capítulo nesta semana. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou neste domingo que as delegações de Kiev e Moscou voltarão à mesa de negociações na quarta e quinta-feira.

O anúncio ocorre em um momento crítico, onde o governo ucraniano enfrenta uma pressão crescente da gestão de Donald Trump para chegar a um consenso, enquanto a população civil sofre com o colapso do sistema energético em um inverno de temperaturas extremas.

Apesar da expectativa, o cenário é de cautela. O encontro anterior, realizado em Abu Dhabi com a mediação dos Estados Unidos, não resultou em avanços práticos.

Zelensky, no entanto, reforçou através de suas redes sociais que sua equipe está preparada para discussões substanciais, buscando um desfecho que assegure a dignidade do país. Até o momento, o Kremlin e a Casa Branca mantêm silêncio oficial sobre os detalhes do novo cronograma.

Impasses territoriais e exigências de Moscou

O principal obstáculo para o fim das hostilidades reside na profunda divergência sobre a soberania territorial. Enquanto Washington pressiona por um compromisso, a Rússia mantém exigências rígidas, que incluem não apenas a manutenção das áreas já ocupadas no leste industrial — o Donbas —, mas também a entrega da região de Donetsk e a renúncia definitiva da Ucrânia à entrada na Otan.

Em contrapartida, o plano de paz articulado entre Kiev e a União Europeia no fim do ano passado é menos flexível, prevendo a concessão apenas dos territórios que já estão sob controle efetivo das forças russas.

O enviado russo Kirill Dmitriev classificou as conversas prévias com a delegação americana na Flórida como “construtivas”, mas os detalhes técnicos do que seria um “meio-termo” aceitável continuam sob sigilo.

Ataques recentes e crise humanitária

Enquanto a diplomacia se movimenta, o campo de batalha registra novos episódios de violência. Na manhã de domingo, drones russos atingiram uma maternidade em Zaporizhzhia, ferindo pacientes e causando incêndios em alas médicas.

O ataque ocorre em um contexto de fragilidade humanitária, onde o frio de -15ºC em Kiev castiga centenas de edifícios residenciais que permanecem sem aquecimento devido às falhas na rede elétrica provocadas por bombardeios anteriores.

A trégua temporária em ataques à capital, que teria sido acordada entre Donald Trump e Vladimir Putin para aliviar o sofrimento da população durante o auge do inverno, mostrou-se limitada.

Embora o Kremlin tenha confirmado a suspensão de ofensivas contra Kiev até este domingo, outras regiões como Odessa e Kharkiv sofreram ataques severos contra infraestruturas de energia na última semana, resultando em mortes e aumentando a urgência por um cessar-fogo definitivo nas negociações que se aproximam.

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