Ameaça oculta: novas placas tectônicas são descobertas no ponto mais perigoso dos EUA

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O subsolo do norte da Califórnia, uma das regiões mais instáveis do planeta, revelou-se muito mais complexo do que a ciência supunha. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Davis, descobriram que a famosa Junção Tripla de Mendocino não é composta por apenas três placas tectônicas, mas sim por cinco.

Esse novo mapeamento identifica dois blocos de rocha independentes e em movimento que eram, até então, completamente desconhecidos pelos geólogos.

Desconstruindo a junção tripla

Historicamente, acreditava-se que o ponto de encontro na costa norte californiana envolvia apenas as placas de Gorda, Norte-Americana e do Pacífico. No entanto, o novo estudo detalha uma dinâmica de fragmentação: uma parte da Placa Norte-Americana se desprendeu e está afundando junto à placa de Gorda.

Simultaneamente, um bloco batizado de Fragmento Pioneer está sendo arrastado para as profundezas do continente pela influência da placa do Pacífico.

O sismólogo David Shelly utiliza uma analogia visual para explicar o fenômeno, comparando as placas a icebergs, onde a pequena parte visível na superfície esconde uma configuração submersa vasta e intrincada que dita o comportamento real do terreno.

Modelo atualizado da junção tripla de Mendocino. (Shelly et al., Science , 2026)
O som dos pequenos tremores

Para desvendar esse quebra-cabeça subterrâneo, a equipe científica não esperou por grandes catástrofes. Em vez disso, focaram na análise de dezenas de milhares de microtremores, eventos tão sutis que são imperceptíveis para os seres humanos.

Um detalhe curioso observado pelos pesquisadores é que a frequência desses pequenos abalos aumenta levemente conforme as marés oceânicas mudam. Isso ocorre porque a força gravitacional da Lua e do Sol não atrai apenas a água, mas também exerce uma pressão física sobre as placas tectônicas, “estimulando” a atividade sísmica na região.

Resolvendo mistérios do passado

Essa nova perspectiva geográfica traz respostas para enigmas que intrigavam especialistas há décadas. Um exemplo marcante é o terremoto de Petrolia em 1992, que atingiu magnitude 7,2. Na época, a profundidade em que o tremor ocorreu desafiou os cálculos dos sismólogos por ser muito mais rasa do que o esperado.

Com a confirmação de que os limites das placas não estão onde se imaginava, como aponta a especialista Kathryn Materna, o evento de Petrolia finalmente ganha uma explicação lógica.

A descoberta não é apenas uma curiosidade geológica, ela tem implicações diretas na segurança pública. O estudo sugere que os modelos atuais de previsão de terremotos estão defasados e precisam de uma atualização urgente que considere esses novos fragmentos em movimento.

Compreender a anatomia real do subsolo californiano é o primeiro passo para que os especialistas consigam prever com maior precisão quando e onde o próximo grande terremoto poderá atingir a costa oeste dos Estados Unidos.

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