China quer ‘coordenação estratégica’ com Rússia para ampliar resposta a riscos após ameaça americana

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Em um movimento que sinaliza o fortalecimento de um bloco de oposição ao novo governo dos Estados Unidos, o Ministério da Defesa da China anunciou, nesta terça-feira (27), que pretende intensificar a “coordenação estratégica” com a Rússia.

A decisão, comunicada após uma videoconferência entre os ministros Dong Jun e Andrei Belousov, visa ampliar a capacidade mútua de resposta a desafios globais.

Durante o diálogo, Pequim reforçou o compromisso em implementar o consenso estabelecido entre os chefes de Estado para aprimorar mecanismos de intercâmbio.

Do lado russo, o discurso foi de alerta: Belousov citou as pressões sofridas por Irã e Venezuela como justificativas para que ambos os países monitorem permanentemente o cenário internacional de segurança.

O “Corolário Trump” e a busca por hegemonia americana

A aproximação sino-russa ocorre em um vácuo de tensão criado pela nova Estratégia Nacional de Defesa do governo Donald Trump. O documento, assinado pelo secretário Pete Hegseth, estabelece o objetivo de garantir a dominância militar e comercial absoluta dos EUA “do Ártico à América do Sul”.

Batizada de “Corolário Trump à Doutrina Monroe”, a nova política autoriza o uso de força militar contra vizinhos que não colaborem no combate ao narcotráfico ou que facilitem a influência da Rússia e da China no Hemisfério Ocidental.

Como prova de intenção, Washington citou a recente operação em Caracas que resultou na queda de Nicolás Maduro, sinalizando que ações semelhantes podem ser replicadas onde os interesses americanos forem contrariados.

China amplia ofensiva diplomática na Europa e no Ártico

Enquanto reforça laços militares com a Rússia, a China atua em outra frente para mitigar o isolamento proposto pelos EUA, buscando parcerias estratégicas com aliados ocidentais descontentes com a imprevisibilidade de Washington. Nesta terça-feira, Pequim renovou acordos de cooperação naval com a Dinamarca — país que enfrenta atritos com os EUA devido ao interesse americano na Groenlândia — focando em tecnologias de baixo carbono.

Paralelamente, o presidente Xi Jinping recebeu o primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, reforçando o papel das Nações Unidas como eixo do sistema internacional, em uma crítica velada ao “Conselho da Paz” proposto por Trump, que muitos veem como um órgão rival à ONU.

Reino Unido e a reorganização das potências globais

A movimentação diplomática em Pequim segue intensa com as visitas recentes de líderes do Canadá e da França, e ganha um novo capítulo com a chegada do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, nesta noite.

É a primeira visita de um chefe de governo do Reino Unido à China em oito anos. Para analistas, a viagem de Starmer simboliza uma tentativa pragmática de Londres em reduzir a dependência econômica dos Estados Unidos e assegurar estabilidade junto à segunda maior economia do mundo, em um momento em que a doutrina de “paz por meio da força” de Trump redefine as fronteiras da influência global e as obrigações de segurança dos aliados tradicionais.

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