Rússia lança ataque brutal de mísseis na Ucrânia e deixa feridos e milhões sem luz, enquanto negocia a paz em Abu Dhabi; vídeo
A madrugada de sábado foi marcada por uma violenta contradição entre os esforços diplomáticos e a realidade no campo de batalha. Enquanto delegações da Ucrânia, Rússia e Estados Unidos se reuniam em Abu Dhabi para o segundo dia de conversas tripartidas de paz, as duas maiores cidades ucranianas, Kiev e Kharkiv, foram alvo de um dos maiores ataques combinados de mísseis e drones desde o início do conflito.
A ofensiva russa, que atingiu infraestruturas críticas e áreas residenciais, lançou uma sombra de ceticismo sobre a real disposição de Moscou em negociar um cessar-fogo.
Reação diplomática e críticas ao Processo de Paz
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, reagiu duramente aos ataques, classificando a ação como “cínica” por ocorrer simultaneamente ao processo liderado pelos Estados Unidos.
Segundo o chanceler, Putin enviou uma mensagem clara ao atingir não apenas a população civil, mas a própria “mesa de negociações”. No X (antigo Twitter), Sybiha foi enfático ao afirmar que a brutalidade da ofensiva prova que o líder russo não deveria participar de conselhos de paz, mas sim enfrentar um tribunal especial.
Apesar do clima de tensão e do “terror noturno” relatado pelo governo ucraniano, as discussões nos Emirados Árabes Unidos foram retomadas na manhã de sábado.
Caos energético e crise humanitária no inverno
O impacto na infraestrutura energética foi severo, agravando a crise humanitária em um período de inverno rigoroso, com temperaturas que chegam a -13°C. Em Kiev, o prefeito Vitali Klitschko confirmou uma morte e vários feridos, além de um cenário desolador: cerca de 6.000 blocos de apartamentos ficaram sem aquecimento, um aumento drástico em relação aos dias anteriores.
A Força Aérea Ucraniana contabilizou o uso de quase 400 artefatos bélicos pela Rússia, resultando em cortes emergenciais de energia para 80% do país. Estima-se que mais de 1,2 milhão de consumidores estejam no escuro, enfrentando dificuldades básicas de sobrevivência enquanto engenheiros correm contra o tempo para restaurar serviços essenciais.
Implementação de defesa e o cenário em Kharkiv
Diante da escalada, o presidente Volodymyr Zelenskyy reforçou a urgência de que os acordos de defesa aérea firmados com o presidente Donald Trump durante o Fórum Econômico Mundial em Davos sejam implementados imediatamente.
Embora os detalhes do suporte militar não tenham sido divulgados, a necessidade é evidente em cidades como Kharkiv. Localizada a apenas 30 km da fronteira, a cidade sofreu uma investida concentrada de 25 drones em um intervalo de poucas horas, deixando pelo menos 14 feridos e diversos distritos danificados.

Impasse territorial e as linhas das negociações
No plano diplomático, o negociador-chefe da Ucrânia, Rustem Umerov, indicou que as conversas buscam estabelecer os parâmetros para o fim das hostilidades, mas o caminho permanece incerto. O controle da região de Donbas continua sendo o principal ponto de discórdia.
Propostas anteriores elaboradas pelos EUA sofreram críticas por serem interpretadas como excessivamente favoráveis a Moscou ou por sugerirem a presença de forças de paz europeias, o que desagrada o Kremlin. A persistência dos ataques russos em paralelo ao diálogo reforça a tese de Kiev de que Moscou utiliza a diplomacia apenas como distração enquanto tenta consolidar ganhos territoriais no leste.


