Ministro Toffoli é alvo de seis representações por condução do caso Master
A gestão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), à frente do caso envolvendo o Banco Master, tornou-se o epicentro de uma crise institucional. Ao todo, o magistrado é alvo de seis representações distribuídas entre a Procuradoria-Geral da República (PGR), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Senado Federal.
Desde a liquidação da instituição financeira, ocorrida em novembro de 2025, a relatoria tem sido marcada por controvérsias jurídicas e questionamentos sobre a proximidade do ministro com figuras investigadas.
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Apesar do cerco, o presidente do STF, Edson Fachin, saiu em defesa da “regularidade” da conduta de Toffoli, indicando que eventuais contestações serão apreciadas pelo plenário após o recesso judiciário.
De acordo com informações reveladas pelo Estadão, o nome do ministro foi vinculado a transações imobiliárias suspeitas envolvendo o resort Tayayá. A família de Toffoli teria vendido sua participação no empreendimento para Fabiano Zettel, que é cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro — ambos sob investigação por crimes financeiros. A operação teria sido intermediada por uma empresa sediada no interior paulista, registrada em nome do irmão do ministro. Embora a defesa familiar negue que o marido da cunhada de Toffoli possuísse quotas no resort, a denúncia reforça as alegações de “conexões pessoais e patrimoniais” entre o magistrado e alvos da Operação Compliance Zero.
Embate na PGR e a polêmica da viagem internacional
A primeira investida formal contra Toffoli na PGR partiu dos deputados Caroline de Toni, Carlos Jordy e Adriana Ventura. O grupo baseou o pedido de suspeição em uma reportagem do jornal O Globo, que noticiou uma viagem do ministro a Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores.
Na ocasião, ele estava acompanhado de Augusto de Arruda Botelho, advogado de um dos diretores do Banco Master. Embora o procurador-geral Paulo Gonet tenha arquivado essa representação inicial — decisão celebrada pelo ministro Gilmar Mendes —, os parlamentares protocolaram um novo pedido focando agora nas relações do ministro com o resort Tayayá.
Ofensiva no Senado e mobilização popular
Além das petições na PGR, a pressão política escalou para pedidos de afastamento definitivo. O senador Eduardo Girão, acompanhado pelos deputados Ubiratan Sanderson e outros aliados, moveu ações no CNJ e na própria PGR. O movimento mais contundente é o pedido de impeachment protocolado no Senado por Girão, Damares Alves e Magno Malta.
Os congressistas acusam Toffoli de “conflito de interesses” e criticam ritos processuais inusuais, como acareações precoces envolvendo o Banco Central. Enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, aguarda pareceres técnicos para decidir o futuro do processo, as ruas também ecoam a insatisfação; um protesto organizado pelo MBL em frente à sede do Banco Master, em São Paulo, exigiu publicamente o afastamento do ministro da relatoria.


