The Economist aponta Caso Master como gatilho de risco institucional

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A prestigiada revista britânica The Economist publicou uma análise contundente sobre as ramificações políticas e jurídicas da liquidação do Banco Master. Sob o título “A quebra de um banco brasileiro envolve políticos e juízes”, a reportagem destaca que a proximidade entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e figuras ligadas à instituição financeira tem alimentado uma percepção negativa na sociedade.

De acordo com a publicação, essas conexões reforçam a impressão de que a Suprema Corte brasileira carece de imparcialidade, prejudicando a reputação de Brasília perante os eleitores.

A revista afirma que as consequências da falência do Master “estão ficando feias” devido à rede de contatos cultivada pelo CEO Daniel Vorcaro ao longo dos anos. A The Economist lista uma série de episódios que, embora sem comprovação de ilegalidade, levantam questionamentos éticos.

Entre os pontos citados estão doações de campanha feitas pelo cunhado de Vorcaro a Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, contratos advocatícios envolvendo a esposa do ministro Alexandre de Moraes e a presença do ministro Dias Toffoli em um voo com advogados do banco. A publicação menciona ainda uma inspeção no Banco Central ordenada pelo ministro do TCU, Jhonatan Jesus, figura descrita pela revista como próxima ao “Centrão”.

Resistência a códigos de ética e a postura do Banco Central

O texto detalha as tentativas internas de reforma no STF. Segundo a revista, o atual presidente da Corte, Edson Fachin — descrito como um magistrado sóbrio —, sugeriu a adoção de um código de ética inspirado no Tribunal Constitucional da Alemanha para mitigar suspeitas de parcialidade.

No entanto, a proposta teria sido recebida com desdém por seus pares. Por outro lado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, é apontado pela publicação como o “claro vencedor” da crise, por ter resistido às pressões para evitar a liquidação do banco e por pleitear maior autonomia para a autoridade monetária.

Impacto histórico e investigações de fraude

A quebra do Banco Master é classificada como a maior da história do Brasil em termos de impacto para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Com o colapso ocorrido em novembro de 2026, cerca de 1,6 milhão de investidores que detinham R$ 41 bilhões em CDBs podem ser ressarcidos.

Paralelamente, a Polícia Federal conduz a Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes na concessão de créditos, emissão de títulos irregulares e criação de carteiras falsas. Embora Daniel Vorcaro e outros executivos tenham sido soltos por habeas corpus, eles permanecem sob monitoramento eletrônico e proibidos de atuar no setor financeiro.

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