Trump lança o “Conselho da Paz” em Davos e escanteia as Nações Unidas
Em uma cerimônia estratégica durante o Fórum Econômico Mundial, o presidente Donald Trump oficializou a criação do Conselho da Paz, um órgão que pretende centralizar a gestão de conflitos internacionais e a reconstrução de Gaza.
Com um discurso marcado por críticas severas à ONU, Trump posicionou a nova estrutura como uma alternativa mais ágil e eficaz, detendo para si o cargo de presidente vitalício e o poder exclusivo de veto.
O estatuto do grupo estabelece uma barreira financeira sem precedentes para a diplomacia: países que desejarem assento permanente devem contribuir com US$ 1 bilhão, valor que será administrado diretamente pelo governo norte-americano.
O projeto “Nova Gaza” e a visão imobiliária de reconstrução
A face visível das operações do conselho será o plano “Nova Gaza”, apresentado por Jared Kushner. A proposta substitui a imagem de destruição por um mapa dividido entre zonas portuárias, agrícolas e de negócios, com foco especial em um “paredão” de arranha-céus e polos turísticos de luxo na orla marítima.
Trump descreveu o território palestino como uma localização imobiliária privilegiada que será totalmente desmilitarizada. Sob a supervisão do conselho, uma força internacional liderada pelo major-general Jasper Jeffers deve garantir a estabilidade, enquanto um comitê de tecnocratas palestinos, atualmente sediado no Cairo sob Ali Shaath, cuidará da administração civil provisória.
Lideranças presentes e a composição do núcleo fundador
A oficialização do órgão contou com assinaturas de líderes que já se tornaram aliados próximos nesta empreitada. Estavam no palco e formalizaram o apoio o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, e o primeiro-ministro da Hungria,
Viktor Orbán. Além deles, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, e a presidente do Kosovo, Vjosa Osmani, também integraram o ato. No âmbito executivo, o conselho será movido por figuras de peso como o secretário de Estado Marco Rubio, o ex-premiê britânico Tony Blair, o presidente do Banco Mundial Ajay Banga, além de conselheiros de confiança de Trump, como Steve Witkoff, Marc Rowan e Robert Gabriel.
Adesões lobais e o impasse diplomático de Lula
Até o momento, 25 países aceitaram formalmente integrar o Conselho da Paz, formando um bloco que inclui Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Catar, Egito e Turquia. Também confirmaram participação nações como Marrocos, Paquistão, Uzbequistão, Cazaquistão, Vietnã, Armênia e Belarus.
Por outro lado, o convite gerou resistência em parte da Europa, com Noruega, Suécia e Itália (esta última representada por Giorgia Meloni) recusando ou pedindo mais tempo para análise. No Brasil, o presidente Lula encontra-se em uma “saia justa” diplomática; embora convidado, ele ainda não respondeu, avaliando o choque entre sua defesa histórica de um Estado palestino e os riscos de uma retaliação comercial americana caso decline a proposta.
Críticas internacionais e a sombra de uma ONU paralela
A comunidade internacional observa com cautela o que muitos diplomatas já chamam de “Nações Unidas de Trump”. Especialistas como Oliver Stuenkel apontam que o conselho ignora princípios fundamentais da Carta da ONU ao concentrar poderes excessivos em uma única liderança nacional.
Enquanto grandes potências como China, Rússia, França, Canadá e Reino Unido ainda avaliam sua entrada, a ausência de uma representação palestina clara no conselho levanta dúvidas sobre a legitimidade e a eficácia a longo prazo de uma paz imposta por um consórcio financeiro e militar liderado pelos Estados Unidos.


