Dinamarca aumenta presença militar na Groenlândia após renovadas ameaças de anexação pelos EUA
A Dinamarca deu início a um movimento estratégico de defesa ao enviar tropas adicionais para a Groenlândia. A medida ocorre em um momento de alta instabilidade nas relações transatlânticas, impulsionada pelas recorrentes declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a intenção de anexar o território ártico aos Estados Unidos.
No último dia 19 de janeiro, o Comando de Defesa Dinamarquês divulgou registros de militares desembarcando na ilha para dar início ao exercício “Arctic Endurance”. Porta-vozes das forças armadas confirmaram que haverá um aumento substancial do contingente no local, com a chegada contínua de novos soldados para reforçar a soberania dinamarquesa na região.
Expansão operacional e infraestrutura crítica
O Comando Conjunto do Ártico, sob a liderança do Major-General Soren Andersen, revelou que os exercícios militares, antes sazonais, agora devem ocorrer durante todo o ano. A operação não se limita apenas às forças dinamarquesas; ela conta com o apoio de aliados da OTAN, como França e Suécia, além de um convite estendido aos próprios Estados Unidos.
O foco central das manobras é a proteção de pontos estratégicos, incluindo portos, aeroportos e usinas de energia, que compõem o chamado “flanco norte” da aliança atlântica. De acordo com Andersen, a expansão do treinamento para os meses de inverno é vital para preparar as tropas para condições extremas de neve e escuridão prolongada. Embora o cenário diplomático seja conturbado, o comando militar descarta, por ora, a possibilidade de um confronto armado direto entre membros da OTAN.
O fator Trump e a instabilidade na OTAN
A obsessão da Casa Branca pela Groenlândia ganhou novos contornos após eventos internacionais recentes que aumentaram a desconfiança da Europa em relação à postura militar de Washington. Relatórios sugerem que a disposição de Donald Trump em usar força militar em outros contextos globais acendeu um alerta em Copenhague e Bruxelas.
Como resposta à mobilização europeia na ilha, o governo americano anunciou medidas de retaliação econômica. No último sábado, Trump confirmou a imposição de tarifas de 10% sobre produtos dos países envolvidos nas manobras, com previsão de escalada para 25% até meados do ano.
Ruptura diplomática e resposta europeia
As pressões norte-americanas sobre o território dinamarquês levaram a relação entre a Europa e os Estados Unidos ao seu nível mais baixo em décadas. A integridade territorial da Dinamarca passou a ser vista como uma linha vermelha para a União Europeia.
Lars Klingbeil, vice-chanceler e ministro das Finanças da Alemanha, afirmou que o presidente americano ultrapassou limites diplomáticos aceitáveis ao exigir a anexação da ilha. Enquanto a UE articula uma resposta unânime e contundente às ameaças e sanções, Washington mantém o tom de advertência, desencorajando qualquer medida retaliatória por parte dos aliados europeus.


