FMI prevê crise global com risco de escalada de guerra comercial entre EUA e Europa pela Groenlândia
O Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu um alerta contundente sobre os perigos de uma nova escalada nas tensões comerciais entre os Estados Unidos e a Europa.
O epicentro do conflito, motivado pelas recentes pretensões de Donald Trump sobre o território da Groenlândia, ameaça desestabilizar o crescimento econômico mundial. Segundo Pierre-Olivier Gourinchas, economista-chefe da instituição, o surgimento de políticas retaliatórias teria um impacto profundamente adverso.
Durante a apresentação do relatório Perspectivas da Economia Mundial, Gourinchas destacou que não existem vencedores em confrontos desta natureza. O economista instou as potências a buscarem uma solução diplomática, ressaltando que uma espiral de hostilidades econômicas traria consequências severas tanto para o Produto Interno Bruto (PIB) americano quanto para o bloco europeu.
A contraofensiva da União Europeia
A resposta de Bruxelas não tardou. Kaja Kallas, Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, reforçou que o bloco não cederá às pressões de Washington.
Em resposta às ameaças de tarifas de 100% mencionadas por Trump, Kallas garantiu que a Europa possui mecanismos robustos para proteger seus interesses comerciais e que a soberania sobre a Groenlândia permanece uma questão inegociável para o continente.
O clima de desconfiança mútua atingiu um novo patamar após a movimentação militar na região ártica. Na última semana, um contingente formado por nações como Dinamarca, Noruega, França, Alemanha e Reino Unido realizou exercícios conjuntos na Groenlândia, reafirmando o controle territorial dinamarquês. O gesto foi lido pela Casa Branca como uma afronta direta às ambições americanas de integrar o território aos EUA.
Tarifas e o cronograma de retaliação
Como represália ao movimento militar europeu, Donald Trump anunciou a implementação de uma tarifa inicial de 10% sobre todos os produtos vindos dos países que enviaram forças à Groenlândia.
O plano de Washington prevê um endurecimento progressivo dessas taxas, que devem subir para 25% a partir de 1º de junho de 2026, caso um acordo de transferência territorial não seja firmado.
Atualmente, o governo americano mantém uma postura de intransigência, confirmando que as sanções entrarão em vigor já em fevereiro. Enquanto a Dinamarca e as autoridades locais da Groenlândia insistem no respeito à soberania, o mercado global observa com apreensão o que pode se tornar o maior entrave ao comércio transatlântico das últimas décadas.


