França emite alerta severo aos EUA que invasão da Groenlândia forçará resposta radical da Europa

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O governo francês subiu o tom contra as recentes pretensões dos Estados Unidos em relação à Groenlândia. Em entrevista ao Financial Times, o ministro das Finanças da França, Roland Lescure, revelou ter advertido formalmente o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, sobre os riscos de uma tentativa de “apropriação” do território ártico.

Segundo Lescure, qualquer movimento nesse sentido ameaçaria seriamente a estabilidade econômica entre Washington e a União Europeia.

O ministro enfatizou que a Groenlândia integra um Estado soberano ligado à UE e que a questão não pode ser tratada de forma negligente. Para Paris, uma intervenção americana na ilha representaria a violação de uma “linha vermelha”, colocando em xeque o maior fluxo bilateral de comércio do planeta, que deve movimentar cerca de 1,6 trilhão de euros em 2024.

Diplomacia entre a cooperação e o atrito

Mesmo diante do mal-estar territorial, Lescure defende que a Europa mantenha o diálogo com a Casa Branca em áreas estratégicas. Ele citou como exemplo o esforço conjunto no G7 para reduzir a dependência global da China em materiais críticos, como terras raras.

Propostas que incluem preços mínimos e compras conjuntas estão sendo preparadas para a cúpula de Évian, em junho, visando fortalecer a segurança de suprimentos do Ocidente.

Entretanto, o ministro francês não poupou críticas à postura ambígua de Washington, descrevendo a relação atual como um “paradoxo” onde os EUA oscilam entre o papel de aliado e o de parceiro imprevisível.

Um dos pontos de maior fricção é a regulação das gigantes de tecnologia americanas. Enquanto o governo Trump critica as multas aplicadas por Bruxelas, Lescure reafirmou que as leis europeias serão rigorosamente aplicadas a qualquer companhia que atue no bloco.

Riscos de ruptura transatlântica

A possibilidade de uma escalada militar ou anexação forçada da Groenlândia é vista com cautela, mas extrema gravidade. Questionado sobre possíveis sanções europeias contra os EUA em caso de invasão, Lescure evitou detalhar medidas, mas alertou que tal cenário inauguraria uma era inédita e sombria nas relações transatlânticas, forçando uma adaptação radical da Europa.

Recentemente, discussões entre Dinamarca, Groenlândia e Estados Unidos confirmaram um “desacordo fundamental”. O chanceler dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, reiterou que qualquer proposta que ignore a autodeterminação groenlandesa é “totalmente inaceitável”.

A determinação de Trump e a reação europeia

Do lado americano, o presidente Donald Trump mantém a retórica de incorporar a Groenlândia “de um jeito ou de outro”, justificando a medida como essencial para a defesa nacional contra a presença russa e chinesa no Ártico.

A recusa sistemática das autoridades locais e dinamarquesas em negociar o território fez com que Washington não descartasse o uso de força militar.

Diante da ameaça, o cenário internacional começa a se movimentar defensivamente. Relatos indicam que o Reino Unido já discute com aliados o envio de forças militares para a região, enquanto a União Europeia estuda planos de contingência que incluem sanções econômicas severas contra grandes corporações americanas, como Google, Meta e Microsoft, caso a soberania do Reino da Dinamarca seja violada.

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