Ex-nora de Lula é alvo de nova fase da Operação Coffee Break da Polícia Federal
A Polícia Federal deu início, na manhã desta terça-feira, à terceira etapa da Operação Coffee Break. A ação visa aprofundar a apuração sobre um esquema de corrupção envolvendo licitações de materiais didáticos em diversas prefeituras do interior de São Paulo.
Nesta fase, os agentes cumpriram três mandados de busca e apreensão no estado, além de ordens de bloqueio de bens e valores dos investigados. O foco é desmantelar uma estrutura que, segundo os investigadores, desviava recursos públicos destinados à Educação.
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Suspeitas sobre ex-nora de Lula e conexões em Brasília
Um dos pontos centrais da investigação envolve Carla Ariane Trindade, ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva. Em fases anteriores, ela foi alvo de buscas sob a suspeita de ter recebido vantagens indevidas do empresário André Gonçalves Mariano, considerado o operador do esquema.
A PF aponta que Carla teria atuado na capital federal para facilitar a liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) em favor da empresa Life Tecnologia Educacional. Além dela, Kalil Bittar, ex-sócio de um dos filhos do presidente Lula, também é citado como peça-chave na articulação política junto ao órgão federal.
De acordo com os relatórios da Polícia Federal, a “organização criminosa estruturada” opera desde 2021 e envolve agentes públicos, lobistas e doleiros. O esquema baseava-se no direcionamento de contratos e no superfaturamento de kits escolares e livros.
Estima-se que a empresa Life Tecnologia Educacional tenha recebido aproximadamente R$ 70 milhões das prefeituras paulistas. O dinheiro, oriundo do Ministério da Educação, era parcialmente desviado para empresas de fachada após a formalização dos contratos irregulares.
A Operação Coffee Break já havia ganhado repercussão em novembro, quando seis pessoas foram presas, incluindo o vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César (PSB). As irregularidades mais graves foram detectadas nos municípios de Sumaré e Hortolândia. Os crimes investigados no inquérito incluem peculato, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, organização criminosa e corrupção ativa e passiva. O inquérito destaca ainda o histórico de proximidade entre os envolvidos, mencionando que Kalil Bittar é irmão de Fernando Bittar, proprietário do sítio em Atibaia que foi alvo de investigações no passado.
Posicionamento da defesa e direitos de resposta
Diante das graves acusações, Carla Ariane Trindade negou qualquer participação no esquema ilícito por meio de seus representantes legais. Em manifestações anteriores, sua defesa ressaltou que aguardava o acesso integral aos autos do processo para prestar os devidos esclarecimentos à Justiça. O espaço permanece aberto para as manifestações dos demais citados no inquérito da Polícia Federal.


