Caso Master: Toffoli aponta demora da PF e exige explicações em 24 horas

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O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou formalmente seu descontentamento com o que classificou como uma “demora injustificada” da Polícia Federal na deflagração da nova etapa da operação que investiga o Banco Master.

O magistrado expediu uma determinação oficial para que o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, preste esclarecimentos sobre o descumprimento do cronograma estabelecido pela Corte para a realização das diligências, que ocorreram apenas nesta quarta-feira.

O cronograma das ordens judiciais e o “estranhamento” do ministro

De acordo com os autos divulgados pelo STF, o pedido de medidas cautelares foi protocolado pela PF no dia 6 de janeiro e prontamente deferido pelo ministro no dia seguinte. Toffoli estabeleceu que, dada a gravidade das evidências de práticas criminosas e a urgência na colheita de provas, a operação deveria ter sido iniciada em 24 horas a partir do dia 12 de janeiro. Em seu despacho, o ministro utilizou a expressão “causa espécie” para descrever a inobservância do prazo, destacando que a corporação dispôs de tempo hábil para o planejamento logístico, e que a inércia policial poderia comprometer a eficácia e o sigilo das providências judiciais.

O magistrado foi enfático ao declarar que qualquer prejuízo ao resultado das investigações ou eventual frustração no cumprimento das buscas será de responsabilidade exclusiva da autoridade policial. Toffoli pontuou que a PF só teria adotado providências urgentes na véspera da operação (terça-feira à noite), ignorando a determinação expressa emitida na tarde de segunda-feira. Como medida adicional para garantir a integridade do processo, o ministro ordenou que todo o material apreendido — que inclui dispositivos e documentos de Nelson Tanure e Fabiano Zettel — seja lacrado e enviado diretamente ao Supremo, sem a análise prévia da PF.

Contraponto da Polícia Federal e entraves logísticos

Em resposta às cobranças, o diretor-geral da PF informou que já encaminhou as justificativas ao gabinete do ministro. Fontes internas da corporação, sob reserva, argumentam que o prazo de 24 horas é tecnicamente inviável para uma operação de tamanha magnitude, que envolve múltiplos alvos e complexidade logística.

Além disso, a defesa da PF sustenta que houve necessidade de incluir novos alvos no pedido inicial, o que teria deslocado a data da ação. Há também um clima de preocupação entre os investigadores quanto à ordem de envio direto do material ao STF, medida que foge à praxe e que, segundo os agentes, pode atrasar o avanço das apurações técnicas.

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