Irã desafia EUA: regime sinaliza execuções sumárias e coloca mísseis em “máximo nível de prontidão”
O cenário geopolítico no Oriente Médio atingiu um novo patamar de alerta nesta quarta-feira. Majid Mousavi, comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), confirmou que o país recompôs e expandiu seus estoques de mísseis, garantindo que as forças militares estão em “plena prontidão”.
O anúncio ocorre em um momento de repressão interna sem precedentes e trocas de ameaças diretas com a Casa Branca.
Em resposta à postura de Teerã, o presidente dos EUA, Donald Trump, endureceu o discurso, prometendo ataques em escalas inéditas caso ativos americanos sejam alvos de retaliação.
No plano interno, a liderança do Parlamento iraniano, chefiada por Mohammad Baqer Qalibaf, já sinalizou que qualquer ofensiva de Washington transformará as bases militares dos EUA na região em alvos legítimos.
O impasse das execuções e a crise humanitária
A crise de direitos humanos no Irã ganhou contornos dramáticos com o anúncio de que manifestantes detidos durante os recentes protestos antigovernamentais serão submetidos a julgamentos e execuções sumárias. O Judiciário iraniano, sob o comando de Gholamhossein Mohseni-Ejei, defendeu a celeridade nas punições para garantir o “efeito” desejado sobre a dissidência.
O caso de Erfan Soltani, um jovem de 26 anos condenado à morte, tornou-se o símbolo da urgência internacional. Grupos como a Anistia Internacional e a HRANA alertam que o número de mortos na repressão já chega a 2.571, com mais de 18 mil prisões realizadas em apenas duas semanas — o maior índice de violência estatal desde a revolução de 1979. Enquanto familiares imploram por clemência, o governo iraniano justifica a ação como necessária para combater uma “guerra suave” orquestrada por potências estrangeiras.
Ameaça de intervenção militar e impacto global
Washington sinalizou que não ficará inerte diante das execuções. Em entrevista à CBS News, Trump mencionou ações militares passadas contra alvos estratégicos e alertou que “medidas muito enérgicas” serão tomadas se o regime iniciar os enforcamentos em massa.
Relatórios de inteligência israelenses indicam que o presidente americano já teria decidido intervir, embora a escala e o formato da operação ainda não tenham sido definidos.
No entanto, a possibilidade de uma ação direta dos EUA enfrenta resistência de aliados regionais. Turquia, Egito e Arábia Saudita manifestaram preocupação de que uma intervenção possa desencadear uma guerra em grande escala, com consequências devastadoras para a estabilidade do Oriente Médio e para a economia global, dada a rede de milícias apoiadas pelo Irã na região.
Censura digital e controle social
Para conter a organização dos protestos e a circulação de informações, Teerã intensificou o controle sobre as comunicações. Após dias de bloqueio total, o serviço telefônico internacional foi parcialmente restabelecido, mas agentes de segurança iniciaram buscas domiciliares em Teerã atrás de terminais de internet via satélite da Starlink.
Além do bloqueio tecnológico, o Estado utiliza a televisão oficial para exibir confissões de detidos. Segundo a HRANA, pelo menos 97 dessas declarações foram transmitidas desde o final de dezembro, obtidas sob coação e tortura. Nas ruas, o cenário é de militarização: policiais antimotim e agentes à paisana ocupam cruzamentos estratégicos, enquanto a população vive sob o medo de novos confrontos e do fechamento contínuo de instituições básicas, como escolas.
Reações internacionais e o futuro do conflito
Enquanto os EUA incentivam a ocupação de instituições iranianas e prometem ajuda aos manifestantes via redes sociais, a missão do Irã na ONU classifica a estratégia americana como uma “fantasia de mudança de regime”. A Rússia também se posicionou, acusando forças externas de utilizarem a tensão interna para desestabilizar o Estado iraniano.
Com o Departamento de Estado dos EUA ordenando a saída imediata de cidadãos americanos do país, o clima em Teerã é de expectativa sombria. O reconhecimento oficial de “mártires” pela TV estatal e a preparação para funerais coletivos de membros das forças de segurança indicam que o regime se prepara para uma consolidação do poder pela força, ignorando os apelos da comunidade internacional.


