Deputados da oposição classificam nova prisão de Felipe Martins como “tirania” e “falência do sistema”
Parlamentares de direita reagiram com contundência à nova prisão preventiva do ex-assessor da Presidência, Filipe Martins, ocorrida nesta sexta-feira. A ordem de detenção, expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fundamenta-se no descumprimento de medidas cautelares, especificamente o uso proibido de redes sociais após um acesso registrado em seu perfil no LinkedIn.
Enquanto a defesa de Martins sustenta que a movimentação na conta foi realizada por seus próprios advogados, figuras proeminentes do bloco conservador classificaram a medida como arbitrária.
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Carlos Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a prisão é ilegal, enquanto o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) chamou a decisão de “sadismo”, argumentando que o ex-assessor vem sendo alvo de punições baseadas em premissas falsas, como reuniões das quais não participou e viagens que nunca realizou.
Paralelo com a situação de Jair Bolsonaro
O descontentamento da base aliada também estabeleceu conexões entre o caso de Martins e a atual situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal após receber alta médica. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou o termo “tirania” para descrever a atuação do Judiciário, criticando o que considera um regime de cárcere severo para o ex-mandatário e a prisão de Martins por uma suposta atividade digital, apesar do cumprimento das cautelares por centenas de dias. Na mesma linha, o deputado Bibo Nunes (PL-RS) apontou uma suposta disparidade no rigor das decisões, afirmando que indícios e movimentações em redes sociais estão sendo utilizados como fundamentos jurídicos para antecipar punições e negar direitos básicos.
O histórico jurídico e a condenação de Martins
Filipe Martins estava em regime de prisão domiciliar há poucos dias, após uma mudança em seu status jurídico motivada pelo cenário de investigações que envolvem outros ex-membros do governo. O ex-assessor possui uma condenação de 21 anos de reclusão em um processo que apura uma tentativa de golpe de Estado e outros crimes correlatos.
O cerne da acusação, validado pelos ministros do STF, indica que Martins foi o responsável pela redação de uma minuta de decreto que visava reverter o resultado das eleições de 2022. Embora a Procuradoria-Geral da República (PGR) aponte que o documento chegou a ser apresentado à cúpula das Forças Armadas, a defesa de Martins segue empenhada em reverter a condenação judicial.
A trajetória de Martins no sistema judiciário já havia sido marcada por uma prisão em 2024, sob a suspeita de risco de fuga. Naquela ocasião, a Polícia Federal baseou-se em registros migratórios que indicavam sua presença na comitiva presidencial em uma viagem para Orlando, nos Estados Unidos, em dezembro de 2022.
Os dados foram extraídos de arquivos do tenente-coronel Mauro Cid. Contudo, essa versão é contestada pela defesa, que afirma possuir provas de que o ex-assessor permaneceu no estado do Paraná durante o período mencionado, negando qualquer tentativa de evasão do território nacional.


