Mamdani desafia comunidade judaica e anula decretos sobre antissemitismo para revolta de Israel
Em seu primeiro ato oficial como prefeito de Nova York, Zohran Mamdani marcou o início de seu mandato com uma decisão que altera profundamente as políticas de combate à intolerância na metrópole.
Na última quinta-feira, o recém-empossado governante revogou uma série de ordens executivas estabelecidas por seu antecessor,
Eric Adams. Entre as medidas canceladas, destaca-se a anulação da adesão da cidade à definição de antissemitismo formulada pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA).
Esta norma, adotada anteriormente por Adams, estabelecia que certas críticas ao Estado de Israel e discursos antissionistas poderiam ser classificados como manifestações de ódio contra o povo judeu.
Ruptura com o legado de Eric Adams e novas prioridades
A decisão de Mamdani atinge especificamente o conjunto de decretos assinados por Adams a partir de 26 de setembro de 2024, período que coincide com o indiciamento do ex-prefeito. A diretriz da IHRA agora revogada considerava como antissemitismo atos como a negação do direito à autodeterminação judaica ou a acusação de que a existência de Israel seria um projeto racista.
Ao cumprir uma promessa de campanha feita ainda em setembro, Mamdani sinaliza uma mudança radical na postura da prefeitura, priorizando uma agenda voltada para os trabalhadores e para a acessibilidade financeira da cidade, ao mesmo tempo em que se afasta do alinhamento irrestrito com as políticas externas pró-Israel de gestões anteriores.
O clima de tensão e a resistência da comunidade judaica
A ascensão de Mamdani ao cargo máximo da cidade de Nova York é acompanhada por um clima de forte apreensão entre as lideranças judaicas locais. Dados demográficos e pesquisas de opinião revelam uma divisão profunda: cerca de dois terços dos eleitores judeus da cidade não apoiaram o novo prefeito.
O Índice Voz do Povo Judeu, publicado em novembro, apontou que 67% dos judeus americanos temem que a vitória de Mamdani represente um risco direto à segurança da comunidade nova-iorquina. Além das preocupações eleitorais, um relatório da Liga Antidifamação (ADL) indicou que um quinto dos nomeados para a nova administração possui vínculos com grupos antissionistas, alguns dos quais chegaram a proferir declarações polêmicas sobre os ataques de 7 de outubro.
Repercussões diplomáticas e críticas internacionais
As ações e a retórica de Mamdani, que já descreveu as operações de Israel como “genocídio” e prometeu prender o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu caso este visite a cidade, provocaram reações severas do governo israelense.
O presidente de Israel Isaac Herzog classificou as falas do prefeito como ultrajantes e prejudiciais à liberdade religiosa, argumentando que tal posicionamento deslegitima a conexão histórica do povo judeu com sua terra ancestral. No cenário diplomático, o Ministério das Relações Exteriores de Israel e o ministro Amichai Chikli subiram o tom das críticas, descrevendo a revogação da definição da IHRA como um ataque deliberado à comunidade judaica e um incentivo ao sentimento antissemita em um momento de vulnerabilidade global.


