Mapa preocupante mostra cidades dos EUA que podem afundar com o aumento do nível do mar
Segundo um mapa divulgado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), um aumento de 3 metros (10 pés) no nível do mar resultaria na submersão de um vasto número de cidades costeiras nos Estados Unidos. O geólogo costeiro e professor da Universidade Internacional da Flórida, Randall Parkinson, classificou esse cenário como “catastrófico” em entrevista à Newsweek.
A elevação do nível do mar não representa apenas o risco de inundação de áreas urbanas. Ela carrega ameaças adicionais, como danos a locais que armazenam materiais perigosos e a potencial contaminação de fontes vitais de água potável. Um levantamento recente alarmante identificou 5.500 locais que lidam com esgoto, lixo, petróleo, gás e outros materiais perigosos que podem sofrer inundações costeiras até o ano de 2100. Os pesquisadores alertam que mais da metade desses locais já enfrentará risco de inundação em um futuro próximo, possivelmente até 2050, com comunidades de baixa renda, pessoas negras e outros grupos marginalizados sendo os mais vulneráveis.
Leia+ China equipa policiais com óculos IA que escaneiam pessoas instantaneamente; veja vídeo
O impacto abrangente costa a costa
O mapa da NOAA detalha uma destruição significativa em ambas as costas do país. Na Costa Oeste, cidades como Seattle, Aberdeen e Port Townsend, em Washington, seriam parcialmente submersas, com faixas do litoral do Oregon severamente inundadas. Na Califórnia, além de Crescent City, áreas circundantes de centros urbanos importantes como São Francisco, Oakland, Long Beach e San Diego também seriam afetadas.

| NOAA
O panorama não é melhor na Costa Leste. Grandes porções do Maine seriam submersas, e cidades de Massachusetts, incluindo Boston, Gloucester, Salem e Quincy, seriam atingidas. Em Rhode Island, a elevação inundaria Warwick e Newport, enquanto na cidade de Nova York, partes de Manhattan, Brooklyn, Queens e Staten Island ficariam sob a água. O risco se estende ao sul, submergindo Atlantic City em Nova Jersey, avançando por Maryland até Baltimore, e atingindo a Virgínia em locais como Newport News e Virginia Beach.
O mapa continua a mostrar submersão significativa na Carolina do Norte (New Bern, Greenville, Jacksonville) e na Carolina do Sul (Charleston). A Geórgia veria cidades como Georgetown, Darien e Brunswick inundadas. O famoso litoral da Flórida sofreria alterações drásticas, com cidades como Jacksonville, Melbourne, Tampa e St. Petersburg, bem como praias populares como Miami Beach, correndo risco de submersão. A área circundante a Nova Orleans, na Louisiana, e cidades texanas como Texas City, Corpus Christi e Portland também seriam cobertas pela água.
Impacto subterrâneo e contaminação da água
Randall Parkinson ressalta que o impacto de uma elevação de 3 metros vai além do visível. “Não apenas tudo o que está acima do solo ficaria submerso, mas também tudo o que está abaixo do solo,” explica. Isso inclui os sistemas de drenagem pluvial e esgoto, que dependem da gravidade. Além disso, a elevação do nível do mar afeta as águas subterrâneas, cruciais para o abastecimento potável do país. O lençol freático subiria, podendo causar inundações de água doce em áreas distantes da costa muito antes de serem atingidas pela água salgada. O processo de intrusão de água salgada também saliniza poços, afetando a água potável e catalisando a corrosão de elementos estruturais de edifícios e estradas.
Probabilidade e necessidade de migração
Embora uma elevação de 3 metros acima dos níveis atuais deva ocorrer em cerca de 20 anos após 2100, Parkinson considera “muito provável” uma subida de 2,1 metros até 2100. Os fatores principais são a expansão térmica da água do mar devido ao aquecimento global e o derretimento das geleiras terrestres, que adiciona volume novo ao oceano.
O aumento das temperaturas atmosféricas, impulsionado pelo dióxido de carbono, é o principal catalisador, tornando a redução das emissões de dióxido de carbono a ação mais crucial. No entanto, o gás tem uma persistência medida em séculos, significando que os planejadores costeiros devem urgentemente abandonar as estratégias atuais de proteção e defesa. Parkinson defende uma “estratégia de migração gerenciada”, que envolve o abandono de áreas de alto risco, substituindo-as por áreas naturais que possam amortecer ou proteger o ambiente construído localizado mais no interior.


