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Terremotos atingem vários pontos do Atlântico Sul

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Uma série de terremotos submarinos de magnitude moderada atingiu múltiplos pontos da região central e sul do Oceano Atlântico nas últimas 24 horas, entre esta sexta-feira (28/11) e sábado (29/11). Os abalos, com magnitudes variando entre 4,9 e 5,3, concentraram-se majoritariamente na região das Ilhas Sandwich do Sul, uma zona de subducção conhecida pela intensa atividade sísmica e vulcânica.

Os tremores registrados tiveram as seguintes magnitudes, em escala Richter: 5,2, 4,9, 5,0, 5,2 e 5,3. Além destes, as próprias Ilhas Sandwich registraram um evento sísmico de 5,1.

A profundidade do risco

Um fator comum e notável em todos os eventos foi a profundidade excepcionalmente rasa dos hipocentros, todos localizados a apenas 10 quilômetros abaixo do leito oceânico. Em sismologia, tremores que ocorrem em profundidades rasas são mais eficientes em propagar energia, o que, dependendo da magnitude e do mecanismo de falha (ruptura), pode aumentar o risco de deslocamento vertical do assoalho marinho e, consequentemente, a possibilidade de formação de um tsunami.

Embora a maioria desses abalos tenha ocorrido a milhares de quilômetros da costa brasileira, o padrão de atividade sísmica na região do Atlântico Sul, especialmente nas proximidades de arcos insulares como as Ilhas Sandwich, exige monitoramento contínuo por parte das autoridades sismológicas.

O Atlântico Sul e a costa do Brasil

O Brasil, situado no centro da Placa Sul-Americana, é menos propenso a grandes terremotos destrutivos; contudo, a atividade sísmica na Dorsal Meso-Atlântica e em falhas próximas à margem continental é um fenômeno real.

A atenção se volta também para a reincidência de tremores na bacia oceânica. No dia 20 de julho, por exemplo, um tremor de magnitude 4,4 foi registrado na região central do Atlântico Sul, em uma área mais próxima à costa do Nordeste brasileiro, notadamente em relação aos estados do Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte.

Foto: Labsis/ epicentro bola vermelha indica o tremor na costa do Nordeste.

Embora este tremor de 4,4 e os recentes abalos nas Ilhas Sandwich não representem risco iminente de tsunami para o litoral brasileiro (que exigiria um terremoto de magnitude significativamente maior e um mecanismo de falha específico), a ocorrência reiterada de eventos reforça a importância da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e laboratórios como o Laboratório Sismológico da UFRN (LabSis) no acompanhamento dessas dinâmicas tectônicas.

“A Placa Sul-Americana é cortada por falhas que, embora longe das zonas de subducção clássicas, podem gerar tremores. É fundamental que a sociedade entenda que o Oceano Atlântico tem sua própria dinâmica sísmica, e embora a maior parte dos grandes eventos ocorra muito distante, a monitoração constante é a chave para a prevenção e o conhecimento geológico.”

A população deve manter a calma e confiar nos sistemas de alerta e monitoramento oficiais. Os eventos atuais nas Ilhas Sandwich estão relacionados a um arco de subducção, onde a Placa Escócia mergulha sob a Placa Sul-Americana, um processo altamente energético que, mesmo à distância, requer a máxima vigilância científica.

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