María Corina envia mensagem enigmática sobre a Venezuela enquanto Trump intensifica pressão sobre Maduro
O cenário político na Venezuela é marcado pelo contraste entre a declaração otimista da oposição e a crescente pressão exercida pelos Estados Unidos, que mantém em aberto tanto a ameaça militar quanto a possibilidade de negociação.
A principal líder da oposição, María Corina Machado (recentemente laureada com o Prêmio Nobel da Paz), declarou em um “manifesto da liberdade” que a Venezuela está “à beira de uma nova era” e que o “longo e violento abuso de poder” do regime de Nicolás Maduro está prestes a terminar. Vivendo na clandestinidade, Machado afirmou ter planos detalhados para as primeiras 100 horas e 100 dias após a saída de Maduro, prometendo um “renascimento” que protegeria o país de “futuras tiranias” e traria de volta os cerca de 8 milhões de venezuelanos exilados. Contudo, analistas apontam que, apesar das alegações, permanece incerto como a oposição pretende concretizar o objetivo de forçar a saída de Maduro.
Estratégia dupla de Donald Trump: ameaça e diálogo
O presidente dos EUA, Donald Trump, tem intensificado as ações de pressão militar e política desde agosto, aparentemente buscando uma rebelião interna contra Maduro:Trump ordenou um enorme reforço naval na costa venezuelana, incluindo o porta-aviões USS Gerald R. Ford. O Departamento de Estado ofereceu uma recompensa de US$ 50 milhões pela prisão de Maduro, o dobro do valor oferecido por Osama bin Laden. Ex-conselheiros consideram que Trump “colocou a arma na mesa”.
O Secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que o suposto cartel de drogas de Maduro, o Cartel dos Sóis, será declarado uma organização terrorista estrangeira a partir da próxima semana, um movimento que alguns observadores veem como um ultimato para a decisão de Maduro.
Trump recusou-se a descartar o envio de tropas terrestres (“não descartava nada”), mas, de forma surpreendente, também sinalizou estar aberto a negociar com o líder venezuelano, afirmando que “provavelmente conversaria com ele”.
Alerta na América do Sul e incerteza do pós-Maduro
O aumento da pressão americana colocou diversos governos sul-americanos em alerta, temendo as repercussões caóticas e o derramamento de sangue que poderiam ocorrer com a derrubada do regime. Há grande suspeita de que, mesmo que Maduro caia, qualquer novo governo apoiado pelos EUA enfrentaria dificuldades extremas para controlar uma situação de segurança instável, podendo, inclusive, ser substituído por um regime autoritário ainda mais severo. Até o momento, o regime de Maduro não mostrou sinais de divisão interna.


