Guerra comercial: Trump lança novos ataques tarifários contra potências asiáticas e africanas
Donald Trump anunciou na segunda-feira (7) a intenção de intensificar suas guerras comerciais, revelando planos para impor novas tarifas a países como Japão, Coreia do Sul e África do Sul a partir de 1º de agosto. A medida, que pode resultar em taxas de até 40% sobre os produtos importados, surge em meio à confusão generalizada em torno da estratégia econômica do ex-presidente dos EUA.
Apesar das ameaças, Trump prorrogou uma pausa anterior, adiando os aumentos de tarifas para o próximo mês. Em publicações nas redes sociais, ele detalhou as alíquotas: 25% para produtos do Japão, Coreia do Sul, Malásia e Cazaquistão; 30% para a África do Sul; e 40% para Laos e Mianmar. A Casa Branca confirmou que Trump assinará uma ordem executiva estendendo por 90 dias a pausa de uma série de tarifas “recíprocas” introduzidas em abril, empurrando o prazo final das negociações comerciais para 1º de agosto.
Justificativas e Implicações das Novas Tarifas
A secretária de imprensa, Karoline Leavitt, afirmou que 14 países receberiam cartas nesta segunda-feira e mais seriam enviadas ao longo da semana. Questionada sobre a prioridade dada ao Japão e à Coreia do Sul, Leavitt indicou que é “prerrogativa do presidente” e que esses países foram “escolhidos para seguir um caminho separado”. Ela acrescentou que Trump busca “os melhores acordos possíveis” e está “próximo” de outros pactos.
Inicialmente, autoridades de Trump haviam sinalizado a conclusão de dezenas de acordos com grandes economias até 9 de julho, mas agora buscam uma extensão para continuar as negociações. As cartas enviadas ao Japão e à Coreia do Sul, em grande parte idênticas, oferecem isenção de tarifas caso os países “decidam construir ou fabricar produtos nos Estados Unidos”.
Trump também ameaçou impor tarifas mais altas caso os países decidam aumentar suas próprias taxas sobre as exportações americanas. Além disso, em uma postagem no Truth Social, ele ameaçou aplicar uma taxa extra de 10% a países que colaboram com o bloco BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), após líderes do grupo expressarem “sérias preocupações sobre o aumento de medidas tarifárias unilaterais”.
Cenário Atual das guerras comerciais
As tarifas “recíprocas” foram inicialmente anunciadas por Trump em abril, em um movimento que a Casa Branca chamou de “dia da libertação”, com alguns países enfrentando taxas de até 50%. Até o momento, os EUA fecharam acordos com o Reino Unido, China e Vietnã, mas ainda há mais de uma dezias de países com os quais as negociações estão em andamento.
O novo prazo de agosto, apesar de adiar a implementação das tarifas por três semanas, gera nova incerteza para os importadores devido à falta de clareza em torno das taxas. Enquanto o prazo de julho se aproxima, a equipe de Trump acelera as negociações. Embaixadores da União Europeia foram informados sobre um rascunho de acordo-quadro que, aparentemente, foi fechado com o governo Trump no fim de semana, indicando que a UE não deverá receber uma carta com ameaça de tarifas mais altas.
Impacto nos Mercados e Indústrias
Em Wall Street, o índice de referência S&P 500 caiu 1% após Trump publicar as primeiras cartas, refletindo a volatilidade gerada pelas políticas comerciais. Embora o mercado de ações dos EUA tenha se recuperado amplamente da incerteza inicial, o dólar americano permanece enfraquecido após meses de disputas comerciais, registrando sua pior performance em mais de 50 anos no primeiro semestre de 2025, com queda de 10,8% desde o início do ano.
No Reino Unido, as siderúrgicas enfrentam uma espera ansiosa para saber se serão afetadas pelas tarifas dos EUA. Apesar de os EUA terem imposto uma tarifa de 50% sobre as importações de aço e alumínio, o Reino Unido negociou uma taxa reduzida de 25% e busca zerá-la, mas um acordo final ainda não foi fechado. Downing Street se recusou a confirmar que estaria confiante na eliminação das tarifas americanas sobre o aço britânico antes do prazo de Trump, afirmando que “nosso trabalho com os EUA continua para que este acordo seja implementado o mais rápido possível”.
